06 junho, 2015

DIVISÕES DA VIDA: POETA ENOQUE FERREIRA LEITE

DIVISÕES DA  VIDA 
extraído  do Cd SERTÃO DIVERSO de Felisardo Moura

Desponta o sol da infância
No horizonte da vida
Como medindo a distância
Dessa jornada comprida
30 anos é meio dia
40 é tarde sombria 
50 é sol no poente
70 é quando anoitece
80 desaparece 
A esperança da gente

10 anos tempo de flor 
Aos 20 deixa ilusão
Aos 30 aparece dor
40 é recordação
50 é triste lembrança
60 morre  esperança
70 é cume das frágoas 
80 já é o cúmulo
90 a boca do túmulo 
recebe o resto das mágoas

Tempo bom é adolescência
Juventude é céu de flor 
Transpira odor da essência 
Pelas pétalas do amor
Depois a virilidade
Chega plantando saudade
Afugentando a virtude
E a onda dos desenganos
Empurra a barca dos anos
No cais da decrepitude

É muito escuro o porvir 
Depois dos 50 anos 
Começa o homem a sentir
O peso dos desenganos
Uns não alcaçam 60
Outros passam de 70
80 o mastro bambeia
90 o barco desanda 
E a morte fica de banda
Morando parede e meia  

Embalado o tempo corre
Tudo que é bom se liquida
Cada uma tarde que morre 
Encurta um dia de vida
Cada data é uma história
Que fica em nossa memória 
Que a vida é como um jornal
Tudo que passa anuncia 
Cada uma página é um dia 
A morte um ponto final

A vida é como uma rosa
Que as pétalas contém aroma
Enquanto nova é cheirosa
Ficando velha ela broma
No 30 com um sereno
Pelo frescor do terreno
A roseira se eleva
Depois que falta o orvalho
Murcha  a rama, seca o galho,
Cai a flor, o vento leva

Para me certificar
Que a vida não vale nada
Eu resolvi visitar  
A nossa ultima morada
Como quem se desanima
Chorei de joelhos em cima
Do tumulo dos meus avós
Onde uma lousa funénera
Vive cobrindo a matéria 
Que tantos foi como nós

09 março, 2015

Cantoria " Comadre Joana "


14 janeiro, 2015

Soneto de Everaldo Souza

Minha estrela

Te procurei no céu sem ter estrelas
Tentando a todo custo encontrar
Teus abraços, tua ternura, teu olhar,
Tuas palavras... eu precisava tanto tê-las

Fechei os olhos, sem jeito pra pensar
Então vi: não fui amado o quanto amei...
Tantas promessas, tantas juras, te estraguei
E o que me resta, agora, é tempo pra lembrar...

Viagens de trem... poeira na estrada...
Sei que pra ti, não representa nada
Mas em mim é tudo tão presente...

Ainda és a minha doce namorada
De todas, entre todas a mais amada
De todas as estrelas a mais ausente...


Everaldo – 13/01/2015

29 dezembro, 2014

Poeta Lenelson Piancó: Uma dose de álcool acende a chama..........



EU SÓ PENSO QUE CANA COM LIMÃO
TEM NA FÓRMULA DO AMOR A SUA ESSÊNCIA
DEPENDENDO DO NÍVEL DE SOFRÊNCIA
PODE ATÉ AFOGAR UM CORAÇÃO
NUNCA ANDE NA BOCA DE UM VULCÃO
SE LEMBRANDO DE BEIJO E DE GEMIDO
PORQUE LARVA DE AMOR ADORMECIDO
SAI FAÍSCA SE VER SAUDADE E BRAHMA
UMA DOSE DE ÁLCOOL ACENDE A CHAMA
NUM FIAPO DE AMOR MAL RESOLVIDO!

16 outubro, 2014

POETA JONAS BEZERRA - VISÃO

Visão!

Nunca soube o que é Visão!
Sim, Visão! Não a dos olhos,
Mas, a da compreensão!
Visão de sabedoria
Visão de filosofia
Visão honesta e segura
Que mesmo sem propaganda
Abre espaço pra quem anda
Sonhando a vida futura.
Essa Visão a qual falo
Transcende a realidade
Não se resume por causa
Da falta de claridade.
“Quem só vê pela retina”
Pode ter uma cortina
De influências perigosas
Tapando a Visão da mente
Sendo “escravo- dependente”
De opiniões duvidosas.
Essa Visão que eu expresso
É mais que distinguir cores.
Avalia os fundamentos
De críticos e pensadores.
Não se abstém da cultura
Não alardeia a censura,
Mas exorta a liberdade
Sem preconceito em seus atos
Pra equilibrar os pratos
Da balança da igualdade.
Visão, não tem longo alcance,
Sem LUZ no seu epicentro.
Pra ver de dentro pra fora
Mais que de fora pra dentro.
As polêmicas acadêmicas
Vê, como as outras polêmicas...
De mil interpretações.
Já que cálculo não desfaz,
As qualidades morais
Das suas convicções.
A falta dessa Visão
Deixa o povo acostumado
A andar de olhos abertos
Com pensamento fechado.
Por isso, é que a raça humana
Tá muito mais desumana.
Nas suas ações brutais
Assim a dádiva da vida
Está sendo destruída
Por coisas materiais.
Projeta quem tem Visão
E realiza quem tem mais.
Dividindo duas classes
Uma na frente, outra atrás.
Eu não alimento o ego
Com um cego, guiando um cego,
E com muita gente cegando.
É fácil de aparecer
Um bom da vista, sem ver.
E um ruim da vista, enxergando.
Quem não tem essa Visão
Acha até que é um delírio
Por que não consegue tê-la
Com óculos nem com colírio.
Microscópio não conserta
E telescópio não oferta
Essa visibilidade
Que essa Visão é interna
Nem você mesmo governa
Sem ter sensibilidade.
Meu medo é notar que o mundo
Não quer conscientizar.
Por isso "os que nascem cegos
Vão morrer sem enxergar".
Se o Presente é obscuro
Eu imagino o Futuro
Onde as pessoas se odeiam
Faça uma reflexão,
Peça a Deus, abra a Visão,
Que assim as coisas clareiam.            


  Autoria: Jonas Bezerra
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