05 abril, 2012
02 abril, 2012
DISCURSO NA CÂMARA MUNICIPAL
De herança e heróis
A família
de José de Carvalho e Sá Moraes, aqui está marcando presença e outorgando-me o
direito de usar a palavra em seu nome.
Não há
exceção do mérito para mim, intérprete do reconhecimento familiar. Coube-me a
honra apenas em momento oportuno, evocar esse grande vulto da história
Belmontense que muito fez em prol da sua
tão amada terra.
Muito justa
e oportuna a homenagem que se prestou em tempos passados ao CORONEL MORAES, em
figurar numa das principais artérias da
cidade de São José do Belmonte. Ao mirarmos a placa que carrega o seu nome,
recordamos os seus feitos e lembramos o seu exemplo de trabalho, de homem
honesto, de coragem, lealdade e dignidade de um grande sertanejo.
Não
concordo nunca que se mude nome de rua consagrado pelo uso popular.
O poeta
Manuel Bandeira, preocupado com este fato, temia a troca dos nomes antigos: - “Tenho medo que hoje se chame do Dr. Fulano
de Tal.”
São José do
Belmonte é um município que não tem o hábito de cultuar os seus mortos. A
memória parece esfacelar diante uma história merece tantos aplausos. Eventos
gloriosos marcam a história desse município. Ninguém vive sem legados , todos
somos herdeiros dos nossos antepassados. Se herdeiros é porque há heranças. Mas
esquecer tem sido a ordem do dia, um descaso que não nos engrandece.
Pois saibam
caros conterrâneos que há o que se louvar nas terras da PEDRA DO REINO, da ROTA
DO CANGAÇO e do fertilíssimo VALE DO CRISTÓVÃO,
nomes fortes, de heróis de cabeça erguida e personalidade de primeira
grandeza que por elas transitaram. Não é necessário ir muito longe para
reaviva-los. Basta apontar as primeiras décadas do século passado: JOSÉ
DE CARVALHO E SÁ MORAES, ANTONIO
CASSIANO PEREIRA DA SILVA, MANOEL BENEVIDES DE SOUZA MENESES, JOAQUIM LEONEL
PIRES DE ALENCAR, MANOEL DA MOTA E SILVA, TERTULIANO DONATO DE MOURA, LUIZ GONZAGA GOMES FERRAZ, JOSÉ
ALENCAR DE CARVALHO PIRES, LUIZ MARIANO
DA CRUZ, MANOEL LUCAS DE BARROS, DO
PROFESSOR MANOEL DE QUEIROZ, DO PADRE
MANOEL LOPES, DE JACINTO GOMES DOS SANTOS
e tantos e tantos outros, sem
falar em HERMES PRIMO DE CARVALHO e JOÃO PEREIRA DE MENESES. Uma plêiade de vultos que
o tempo teima em apagar.
Quem da nova geração recorda tais ícones???
A verdade é
que não sabemos homenagear os que se foram, como se o passado simbolizasse
alguma coisa ultrapassada a não merecer reverências. Urge que a consciência da
tradição venha a impregnar saudades sem cheiro de remorso, tal qual decantou
Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade:
“- Um estado ou um país que valoriza a sua fortuna cultural não terá receios de conviver com o futuro, menos ainda com o o presente.”
“- Um estado ou um país que valoriza a sua fortuna cultural não terá receios de conviver com o futuro, menos ainda com o o presente.”
Os tempos
mudaram, a ânsia de transformação predomina, a celeridade das horas parece não
comportar certos rituais de rememoração, mas não podemos olvidar aqueles que contribuíram
para a construção da história da
nossa tão querida terra e do seu
povo laborioso e bom, que vive sob os
auspícios e proteção do seu padroeiro SÃO JOSÉ.
Na
oportunidade, como bisneto desse impoluto vulto da história de Belmonte que foi
SÁ MORAES, deixo a sugestão a esta
egrégia casa que se faça a alteração do toponímio de PRAÇA SÁ MORAES, para PRAÇA JOSÉ DE CARVALHO E SÁ MORAES.
Faço
também um apelo a todos aqueles que amam, essa bela e heroica terra, para que
imbuídos dos mais altos e sinceros sentimentos
patrióticos, possamos elevá-la e
engrandecê-la cada vez mais, procurando
desta forma nos aprofundar mais
na sua história e nos seus heróis .
26 março, 2012
CENTENÁRIO DO POETA CANCÃO - 2012
Olá amigos e amigas leitores, poetas e poetisas ! 2012 é um ano especial no qual comemoramos o centenário do poeta Cancão e do Rei Luiz Gonzaga, segue um verso de Cancão pra vocês:
A CASA DO ÉBRIO
Era um casebre tristonho
De cujas paredes tortas
Vinha o rangido enfadonho
Dos gonzos de duas portas
As telhas já nodoadas
Duas roletas deitadas
Numa camarinha escura
O vento, quando passava
Parecia que falava
Nas frinchas da fechadura
Na parede do nascente,
Um banco desmantelado
Um garrafão de aguardente
Que ainda havia sobrado
Junto ao quarto de dormida
Cera que foi derretida
Do resto de algumas velas
No chão, marcas de escarros
Cacos de vidro, cigarros
Rolavam por cima delas
Uma rede remendada,
Outra parte descosida
Em um torno pendurada
Pela fumaça tingida
De um lado, havia um cambito
Onde o couro de um cabrito
Sobre um arame pendia
Mais adiante, um jirau
Junto à travessa de um pau
Onde um morcego vivia
Uma corda, uma rodilha
Bem acima de um caixão
Um pote, numa forquilha
Vazava junto ao fogão
Um gato cego e doente
Deitado sobre um batente
Por certo sentia sono
De fora, um jumento olhava
O seu olhar revelava
A malvadez de seu dono
Uma vara de ferrão,
A banda de uma tigela
Meio quilo de sabão
Embrulhado dentro dela
A banda de um cobertor
Atada em um armador
Onde havia um candeeiro
Uma camisa de saco
Mostrava por um buraco
A tampa dum tabaqueiro
Uma cadeira quebrada
As pernas de um tamborete
Uma foice enferrujada
Encabada num cacete
Ao lado de uma cangalha
Havia um chapéu de palha
Com um remendo de pano
Um tronco de mandioca
E um anzol numa taboca
Pra pesca do fim do ano
Havia armado um quixó
Encostado a um baú
Costurado com cipó
Todo feito a couro cru
Num recanto separado
Se conservava embrulhado
O braço de uma viola
Zelava por tradição
Que seu pai foi campeão
De cantar pedindo esmola
Uma calça de azulão
Perto da porta do meio
A bainha de um facão
Balançava em um esteio
Numa mesinha na sala
Havia cascas de bala
Um bisaco e uma garrucha,
A manga de um paletó
E um galho de mororó
Guardado pra tirar bucha
Cinco ovos de galinha,
Um punhado de limão,
Uma cuia com farinha
Sobre a boca de um pilão
Uma rolinha pelada
Numa gaiola quebrada
Junto à porta dormia
Em frente, um cão cochilava
Com certeza decorava
Sua cruel profecia
Um pedaço de perneira,
Um serrote e uma enxó
Tudo dentro duma esteira
Amarrada em um cipó
Um candeeiro sem asa
E num recanto da casa
Quatro cartas de baralho
Em um barbante, num prego
Atado por um nó cego
Estava preso um chocalho
A canela de um veado,
Uma ponta de carneiro,
Em um gibão amarrado
Um facho de marmeleiro
Em frente havia um baú
Só feito de couro cru
Bem apoiado no chão
Sobre sua tampa aberta
Mostrava uma prova certa
Donde guardava o carvão
Abaixo de um travesseiro
Um pouco de sola em dobra
Dada por um curandeiro
Pra mordedura de cobra
Mais um cachimbo de barro
Que o mau cheiro do sarro
Chegava até o caminho
Em um recanto, num banco
Um sapato preto e branco
Que recebeu de um padrinho
Muitas formigas pequenas
Umas vinham, outras iam
E assim muitas centenas
Entre os torrões se escondiam
Duas varas emendadas
Numa parede pregadas
Quase na forma dum ‘vê’
Se o vento passava, vinha
Do terreiro ou da cozinha
Um cheiro não sei de quê
Uma criança chorava
Juntinho da mãe doente
Que com esforço lhe olhava
Mas já com ar diferente
O rosto banhado em pranto,
Deitada sobre um recanto
Numa parede encostada
A face triste e sombria
Que durante aquele dia
Não tinha comido nada
Depois, um homem barbado
Entrava cambaleando
Num andar lento e pesado
Exasperado falando
Um ferimento num braço
Se ia aumentar o passo,
Botava a mão na parede
Sorria e depois chorava
Pelos seus traços mostrava
Sinais de quem tinha sede.
* * *
25 março, 2012
Oh Lua tem dó de mim Clareie minha solidão - João Paraibano e Valdir Teles.
Oh Lua tem dó de mim -
faixa do CD O Sertão em Cantoria,
de João Paraibano e Valdir Teles.
faixa do CD O Sertão em Cantoria,
de João Paraibano e Valdir Teles.
O crime se organizou
Os bandidos aumentaram
As armas multiplicaram
A justiça recuou
Vejo isso achando ruim
Oh Lua tem dó de mim
Clareie minha solidão
Tenha pena dessa gente
Que nasce, morre e não sente
O bater de um coração
(Valdir Teles)
Quem possui imunidade
Não vai preso por ladrão
Se um pobre roubar um pão
Nunca mais tem liberdade
Por isso fazem motim
Oh Lua tem dó de mim
Clareie minha solidão
Tenha pena dessa gente
Que nasce, morre e não sente
O bater de um coração
(João Paraibano)
FOTO: João Rogerio Filho
FONTE DO TEXTO :
http://cantoriasecordeis.blogspot.com.br/2008/02/joo-paraibano-e-valdir-teles.html
21 março, 2012
POESIA: FILHO DE GATO É GATINHO - PATATIVA DO ASSARÉ
Filho de gato é gatinho
Patativa do Assaré
1.
Era o esposo assaltante perigoso,
o mais famoso dentre os marginais,
porém, se ele era assim astucioso,
sua esposa roubava muito mais
2.
A ladra certo dia se sentindo
com sintoma e sinal de gravidez,
disse ao marido satisfeita e rindo:
- Eu vou ser mãe pela primeira vez!
3.
Ouça, querido, eu tive um pensamento,
precisamos viver com precaução,
para nunca saber nosso rebento
desta nossa maldita profissão.
4.
Nós vamos educar nosso filhinho
dando a ele as melhores instruções
para o mesmo seguir o bom caminho,
sem conhecer que somos dois ladrões.
5.
Respondeu o marido: - Está direito,
meu amor, você disse uma verdade.
De hoje em diante eu procurarei um jeito
de roubar com maior sagacidade.
6.
Aspirando o melhor sonho de Rosa,
ambos riam fazendo os planos seus.
E mais tarde a ladrona esperançosa
teve um parto feliz, graças a Deus.
7.
"Ai, como é linda, que joinha bela!",
diziam os ladrões, cheios de amor,
cada qual desejando para ela
um futuro risonho e promissor.
8.
Mas logo viram com igual surpresa
que uma das mãos da mesma era fechada.
Disse a mãe, soluçando de tristeza:
- Minha pobre menina é aleijada.
9.
A mãe, aflita, teve uma lembrança
de olhar a mão da filha bem no centro.
Quando abriu a mãozinha da criança,
a aliança da parteira estava dentro.
FONTE do Texto: http://www.wagnerlemos.com.br/filhodegatoegatinhotextointegral.pdf
FONTE do Texto: http://www.wagnerlemos.com.br/filhodegatoegatinhotextointegral.pdf
20 março, 2012
PROBLEMAS COM O BLOG
Prezados leitores e leitoras, poetas e poetisas, comunico que tivemos problemas com o blog e tivemos que apagar algumas postagens devido a comunicado do google relacionado com o blog CORDEL PARAÍBA que estava distribuindo vírus.
Fiquem Tranquilos ! Já resolvemos o problema e começaremos novas postagens com muita poesia pra vocês
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Poeta Heleno Alexandre disse:
Com Cícero Moraes nossa poesia
Tem mais um espaço pra ser divulgada
Com vídeo que mostra baião e toada
Interpretação, ritmo e melodia
Letras de canções, notícias do dia
Tudo que envolve arte popular
Quem não viu ainda é melhor entrar
Abaixo é o link pra ser acessado
Do Blog que hoje é o mais visitado
Nos dez de galope da beira do mar
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